sábado, 14 de maio de 2011

OS SABÁS DA RODA DO ANO

Para melhor entender nossas celebrações aconselhamos a você, nosso leitor, voltar alguns textos já postados e ler nosso Mito da Criação e a Descida da Deusa.
Esta é a essência de uma religião, fazer você navegar por um vasto mar, magnífico e misterioso.
 
A RODA DO ANO
Reconhecemos como “Roda” o ciclo sem fim do calendário anual. Nele espiritualmente temos datas especificas em que vivenciamos com nossas divindades experiências a fim de nos ligar ao ciclo natural da Natureza, nossa Grande Mãe.

Sendo a Wicca uma religião. Ela possui um calendário litúrgico. Sacerdotes e Sacerdotisas. Ritos e cultos a fim de causar uma experiência espiritual em seus praticantes que os leve mais próximo a divindade de sua devoção.

AS CELEBRAÇÕES DA RODA DO ANO
A Wicca nos liga a Natureza, nossa Grande Mãe e seu filho e consorte o Sol, nosso co-gerador.
A Terra torna-se o cálice onde a semente descansa e o Sol, com seu poder dinâmico, ativa esta semente em repouso e a trás a vida. Assim somos criados.
Não devemos esquecer que por morar no Brasil, um país no Hemisfério Sul, somos levados a fazer uma inversão dos ritos celebrados por Bruxos e Bruxas Americanas, Inglesas e outros, pois estamos abaixo da Linha do Equador.
Portanto as estações do ano mudam; não de ordem, mas de datas; e outra inversão acontece, as direções onde se apresentam os elementos (ou guardiões) também.
Em tempos pastoris, quando o homem era diretamente ligado com a terra. Via-se a necessidade de envolver a comunidade em algo que os fizesse entender o perpétuo ciclo de morte e renascimento do que os cercava, a Natureza.
Então era contada uma história fácil de entender, a qual homens da atualidade chamariam de: “fábula de criança”, mas ligada à realidade.
 
Samhain – noite de 30 de Maio para 1º de Abril
Yule (Solstício de Inverno) – 21 ou 22 de Junho (pode variar de ano para ano)
Imbolc – 2 de Agosto
Ostara (Equinócio de Primavera) – 21 ou 22 de Setembro (pode variar de ano para ano)
Beltaine – 31 de Outubro
Litha (Solstício de Verão) – 21 ou 22 de Dezembro (pode variar de ano para ano)
Lughnassadh – 2 de Fevereiro
Mabon (Equinócio de Outono) – 21 ou 22 de Março (pode variar de ano para ano)

Acima vemos 8 celebrações solares. 4 delas são conhecidas como “Pequenos Sabás” e outras 4 como “Grandes Sabás”.

GRANDES SABÁS
Eles trazem em si momentos importantes da vida de nossa Deusa Mãe e do nosso Deus Filho.
Note que A Deusa, por guardar os segredos da vida, não morre, mas retorna a juventude em Imbolc. A união do casal sagrado acontece em Beltaine. Em Lughnassadh ele se entrega ao envelhecimento confiando a sua amada todo seu reino e finalmente em Samhain ele parte em sua última missão, por guardar os segredos da morte e ressurreição, ele recebe aqueles que partem deste plano físico e os recebe do outro lado.

PEQUENOS SABÁS
Eles trazem em si momentos de passagem de ciclo. Como o Planeta Terra é reconhecido como o corpo da Deusa. Nestas datas celebramos as mudanças que acontecem no corpo dela e completamos momentos da vida Deles.
Note que O Deus nasce em Yule. A Deusa se torna cheia em fertilidade em Ostara. Litha traz o ápice do Sol como o astro rei e enche este dia de magia e realizações. O Deus maduro em idade percebe o declínio é inevitável e se entrega a idade.

quarta-feira, 23 de março de 2011

OS ELEMENTOS


Nos estudos e vivencia da Magia aprendemos a reconhecer 4 elementos essências a nossa existência. Vivificado por um 5º elemento.
É importante em seu crescimento na Magia não somente reconhece-los, mas também estar sintonizado e harmonizado com eles.
Por milhares de anos o homem já os reconhecia e entendia seus efeitos no ser. Podemos citar os 12 signos zodiacais (falaremos no decorrer) que retratavam estágios de vivencia em cada elemento e também os naipes usados na leitura de Tarot: ouros refere-se ao elemento Terra, Copas ao elemento Água, paus ao elemento Fogo e espadas ao elemento Ar.
Reconhecemos que a união deles traz a realidade física na qual vivemos nossas encarnações.
Portanto em todos os nossos rituais invocamos e representamos estes elementos em nossos altares reconhecendo a parte deles em nosso trabalho.
Invocamos os poderes do Ar na direção Leste do planeta, a Terra na direção Sul, a Água na direção Oeste e o Fogo na direção Norte ( mistérios iniciáticos do Coven).
Como reconhecemos o planeta como nossa Deusa Mãe principal. Assim relacionamos cada elemento com uma dádiva dela própria. O Ar torna-se seu sopro divino. A Terra seu corpo onde vivemos. O Fogo a fagulha que dá vida e nos aquece e A Água o elemento que compõe seu útero gerador da vida. E O Espírito, ou o que muitos chamam Éter que une os quatro em harmonia.

Conheça um pouco cada elemento:
Eles são divididos em dois grupos. O Fogo e o Ar são considerados ativos e a Água e a Terra são passivos. Essa divisão se assemelha aos dois grupos da filosofia chinesa: yin representa Água e Terra e yang o Fogo e o Ar.
Os signos da Água (Câncer, Escorpião e Peixes) e da Terra (Touro, Virgem e Capricórnio) são mais introspectivos, cautelosos e ponderados. Já os signos do Fogo (Áries, Leão e Sagitário) e do Ar (Gêmeos, Libra e Aquário) não têm tantas reservas e se expressam socialmente com menor precaução.
Os elementos também foram divididos nas qualidades quente, seco, úmido e frio, a incorporação de uma teoria grega muito antiga, que posteriormente deu origem aos quatro temperamentos da medicina antiga: colérico (quente e seco), sanguíneo (quente e úmido), melancólico (frio e seco) e fleumático (frio e úmido). Quente e Frio dizem respeito à quantidade de energia: alta ou baixa, respectivamente. Seco e Úmido falam da capacidade, talento ou interesse maior ou menor em criar ou desfazer conexões.

O Elemento FOGO
Qualidades: Quente e Seca
Energia alta, rápida e grande talento para desfazer conexões.
Não há quem não saiba o quanto o Fogo é de extrema necessidade para o homem. Aquece seu alimento, sua casa e oferece conforto. Porém é também um elemento perigoso se estiver fora do nosso controle, podendo causar danos irreparáveis. Em outras palavras, o elemento Fogo na astrologia representa a força do espírito. É o desejo da vida, a vontade de ser. Para os signos de Áries, Leão e Sagitário isto significa pressa, impaciência, ação individual, esperança, confiança em si próprio, paixões, desejo de vencer e honestidade. Os signos de Ar abanam as chamas do Fogo, fornecendo-lhes novas idéias, o que torna esses dois elementos compatíveis.
As Salamandras, ou Espíritos do fogo, vivem no éter atenuado e espiritual que é o invisível elemento do fogo. Sem elas, o fogo material não pode existir.
Elas reinam no fogo com o poder de transformar e desencadear tanto emoções positivas quanto negativas. As Salamandras, segundo os especialistas, parecem bolas de fogo e que podem atingir até seis metros de altura. Suas expressões, quando percebidas, são rígidas e severas. Dentro de todas as formas energéticas (o fogo, a água e o mineral), estes seres adquirem formas capazes de desenvolver pensamentos e emoções. Esta capacidade derivou do contato direto com o homem e da presença deles em seu cotidiano. Por tal motivo, as Salamandras desenvolveram forças positivas, capazes de bloquear vibrações negativas ou não produtivas, permitindo um clima de bem estar ao homem.
O homem é incapaz de se comunicar adequadamente com as Salamandras, pois elas reduzem as cinzas tudo aquilo de que se aproximem. Muitos místicos antigos preparavam incensos especiais de ervas e perfumes, para que quando queimados, pudessem provocar um vapor especial e assim formar em seus rolos a figura de uma Salamandra, podendo assim sentir a sua presença. Paracelso afirmava que muitas Salamandras são vistas na forma de bolas ou línguas de fogo correndo através dos campos ou irrompendo nas casas, costumando-se dar o nome a estes fenômenos de "fogo-de-santelmo". Mas a maioria dos místicos afirma que as Salamandras são seres gigantes, imponentes e flamejantes em roupas fluidas, com uma armadura de fogo. Elas são as mais poderosas dos Elementais e têm como seu regente um magnífico espírito flamejante chamado Djin, terrível e aterrorizante na sua aparência. Os antigos sábios sempre foram advertidos para se manterem a distância delas, pois os benefícios derivados do seu estudo frequentemente não eram proporcionais ao preço que se pagava por eles. Elas possuem especial influência sobre as criaturas de temperamento ígneo e tempestuoso. Tanto nos animais como no homem, as Salamandras trabalham através da natureza emocional por meio do calor corpóreo, do fígado e da corrente sanguínea. Sem sua assistência, não haveria calor.

O Elemento TERRA
Elementais da terra: gnomos e duendes.
Regente elemental: Gob, sendo os gnomos responsáveis pela construção de minérios e os duendes responsáveis pelo desenvolvimento das ervas e plantas no geral.
O saber, o escudo, o urso, a cor verde, Formalhaut, as mãos espalmadas e voltadas para o chão. Seu símbolo é representado por um triângulo cortado apontando para baixo.
Qualidades: Fria e Seca
Energia concentrada, lenta e grande talento para desfazer conexões.
Touro, Virgem e Capricórnio compõem o elemento Terra. São signos providos de muita paciência e autodisciplina, capazes de alcançar seus ideais com muita persistência. Esses signos tendem a confiar mais no raciocínio prático do que nas inspirações. Os signos deste elemento podem ser bastante cautelosos e convencionais, fazendo-os duvidar das pessoas com mente ágil. Suas principais características são: aplicação, concentração mental, esforço e espírito conservador. Acima de tudo, esses signos devem se preocupar mais em observar o mundo invisível, o mundo que não possui a forma concreta da Terra.

O Elemento AR
Qualidades: Quente e Úmida
O querer, a espada, o leste, as pássaros, a cor amarela, Aldebaran, palma das mãos voltadas para cima na altura dos ombros. Seu símbolo é representado por um triângulo cortado apontando para cima.
Elementais do ar: silfos e fadas.
Regente elemental: Paralda, sendo os silfos responsáveis pela purificação das atmosferas mais baixas e as fadas pelo equilíbrio mental pessoal.
A sintonia com os elementais do ar confere acesso à inspiração e às faculdades mentais. Ajuda a coordenar e verbalizar as nossas percepções mais sutis. Estimula a liberdade e o equilíbrio mental.
Temos também os elfos, que são elementais muito semelhantes aos silfos, sem forma corpórea definida, pois aparecem da combinação do Ar e do Fogo. Nestes predomina a ordem mental e o envolvimento social. Para recarregar o seu elemento primordial, que é o ar e o fogo, e assim fortalecer o silfo pessoal, é preciso o contato com o ar puro e eletricamente carregado, presente nas tempestades.
Energia alta, rápida e grande talento para estabelecer conexões.
Todos os seres terrestres estão conectados, pois todos respiram o mesmo ar. Isso faz com que esse elemento se torne coletivo. Pessoas com o signo de Gêmeos, Libra e Aquário compõem o elemento da mente, geralmente se adaptam com facilidade e são muito curiosos. Enquanto os signos de Fogo desejam algo, os de Ar idealizam as coisas imateriais. Possuem uma maneira impulsiva de agir, sentimentos artísticos, preferência pelas mudanças objetivas e tendem à distração. Esse indivíduo pode caminhar na neblina, sem saber como aplicar suas energias, ou pode ter sua mente tão clara como o ar antártico.

O Elemento ÁGUA
Qualidades: Fria e Úmida
O calar, a taça, o oeste, golfinhos, a cor azul, Antares, as mãos em forma de concha na altura do abdome. Seu símbolo é representado pelo triângulo voltado para baixo.
Elementais da água: ondinas e sereias.
Regente elemental: Nicksa, sendo as ondinas responsáveis pela depuração ou purificação das águas.
As ondinas despertam e estimulam a natureza emotiva, realçando nossa intuição e a nossa sensibilidade, além das energias da criação e do nascimento, bem como a premonição e imaginação criativa.
As ondinas freqüentemente fazem sentir sua presença, no plano onírico. Sonhos em ambientes aquáticos ou que transbordem sensualidade, aumentando a criatividade em nossas vidas.
A sintonia com a sua ondina pessoal melhora o desempenho das funções da circulação dos fluidos corporais, tais como, o sangue e a linfa. A retenção de água no organismo é indício de desequilíbrio desse elemento, quando isso ocorre, passamos a maior parte do tempo concentrados em nossos pensamentos nos esquecendo dos sentimentos.
O excesso do elemento água, nos torna muito passionais, além de gerar exagerada sensualidade, medo e isolamento. Certas lendas afirmam que elas podem viver algum tempo entre os homens, embora acabem sempre cedendo ao chamado das águas e retornando para os rios ou para o mar.Energia concentrada, lenta e grande talento para estabelecer conexões.
Assim como a Terra, o corpo humano é composto 70% de Água, o que nos leva a crer na importância vital deste elemento. Também é conhecida como solvente universal, ou seja, é capaz de dissolver mais substâncias que qualquer outro líquido conhecido por nós. Na astrologia, a Água pode ser simbolizada pela alma ou a emoção. Câncer, Escorpião e Peixes levam consigo as características deste elemento, o que significa sua sensibilidade e vulnerabilidade tão marcantes. Por isso, se não controlam suas reações emocionais acabam passando por freqüentes instabilidades interiores.

Bem fácil e gostoso de estudar, não?
Eles nos ajudam a conhecer uma pessoa, um momento da vida e até mesmo como organizar um trabalho Mágico.
Usamos a Terra para fins de prosperidade, materialização, fertilidade, multiplicação, etc.
O Ar para intelectualidade, concentração, imaginação, etc.
A Água para espiritualidade, vida sentimental, fecundidade, limpeza, etc.
O Fogo para aumentar a coragem, força de vontade, transmutação, etc.

Reconhecemos que cada elemento possui seres que os personificam na mente humana, chamados Elementais e que há um ser responsável por sua organização, os quais nós chamaremos Elementares.
Eles são seres puros e co-criadores da natureza, cada qual responsável por uma atribuição, conforme o elemento a que pertencem.
Os reinos elementais são regidos pelas leis naturais da Deusa e do Deus que, junto com o Poder maior da Criação, formam uma tríade sagrada, onde os espíritos da natureza, manifestam-se sob formas e funções específicas para a harmonia e a manutenção de todo o Planeta.
O Reino elemental canaliza a energia através do pensamento, mantendo um determinado padrão vibracional. Os elementais captam todas as vibrações dos seres humanos, mas somente aqueles que possuem o coração puro, como de uma criança, conseguem entrar em contato com esses seres maravilhosos. Os elementais sagrados não são apenas aquelas "belas criaturas" idealizadas por muitos e que, normalmente, vemos estampadas em livros e lojas esotéricas, mas sim, representantes dos elementos básicos da criação e, como tal, fundamentais para o equilíbrio e a continuidade de toda a existência. Invocar um ser elemental, não é apenas um ato mágico, mas um ato necessário para o nosso equilíbrio interior e também exterior. Podemos observar que interiormente possuímos todos os elementos condensados dentro de nós. O ideal é vivenciarmos todos os elementos, seja através do contato com a terra, o ar, o fogo ou água e assim percebermos quando algum excesso ou falta estiver presente. Esse é o verdadeiro contato com o nosso elemental sagrado.
Pensando por este aspecto, somos a terra, representada pelo estômago que tem a função de digerir alimentos sólidos provenientes do solo. Somos o ar, quando respiramos e assim o inalamos através dos pulmões, o combustível necessário para que a máquina, chamada corpo físico, se movimente. Somos o fogo, quando dançamos, corremos e nos apaixonamos, pois o coração é o símbolo dessa energia, que movimenta o sangue pelas artérias e veias do nosso corpo. Somos 70% de água circulante em todo o organismo, além de nascermos através desse elemento. E somos também o éter espiritual da quintessência elemental.

E finalmente, o éter que é unificado nessa existência física, dinamizado e representado pela união de todos os elementos. No livro Alquimista, Paracelso cita: "Toda natureza invisível se movimenta através da imaginação. Se a imaginação fosse forte o suficiente, nada seria impossível, porque ela é a origem de toda magia, de toda ação através da qual o invisível, de um ou outro modo, deixa seu rastro no visível. A energia da verdadeira imaginação pode transformar nossos corpos, e até influenciar no paraíso"...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A DESCIDA DA DEUSA

Como um pacto para que tudo jamais fugisse de um ciclo, surge outro Mito:
A descida da Deusa

Nosso Senhor, após ver a terra fertilizada e assim, cumprida sua missão, despede-se da Deusa e inicia seu caminho rumo ao Submundo. Ele se torna o terrível Senhor das Sombras, trazendo a morte e o esquecimento. Mas junto com a morte, Ele traz o descanso, por isso, Ele é também o Consolador.
A Deusa, que é vista neste mundo como a Lua, aquela que brilha na escuridão, cresce e míngua em seu eterno ciclo. E em certo momento desse ciclo, Ela anda três noites na escuridão, pois no amor Ela sempre busca seu complemento.
E uma vez, no inverno do ano, em que Ele havia desaparecido da Terra verde, Ela o seguiu e partiu ao Submundo em sua nau, pelo Sagrado Rio da Descida.
Nossa Deusa soluciona todos os mistérios, até mesmo o mistério da morte. Assim, Ela chega, finalmente, aos portões além dos quais os vivos não entram.
Quando Ela se depara com o primeiro dos portais, seu guardião a desafia:
- Tira tuas vestes, põe de lado tuas jóias, pois nada tu podes trazer contigo ao interior desta nossa terra.
E a cada um dos portais, a Deusa teve que pagar o preço da passagem, pois nada pode ser dado sem que algo seja oferecido em troca.
No primeiro portal, Ela deixa seu cetro, símbolo do poder sobre as coisas que nos rodeiam.
No segundo portal, Ela deixa a coroa, que representa a autoridade, o status perante os círculos sociais.
No terceiro, Ela deixa seu colar, que representa a exigência por riqueza, sucessos e realizações, pois isso de nada vale no processo de reconhecimento do Espírito.
No quarto portal, Nossa Deusa deixa seu anel, símbolo de associação a uma entidade, formação acadêmica ou nível intelectual.
No quinto, Ela deixa sua guirlanda, que representa as fachadas pessoais e o que é usado para ocultar imperfeições, erros e defeitos.
No sexto portal, Ela tira suas sandálias, deixando para trás as trilhas já seguidas e as políticas anteriormente adotadas, abandonando pontos de vista atuais e preparando-se para conhecer novos.
No sétimo portal, por fim, Ela deixa suas vestes, a cobertura mortal, e uma vez removidas, o que resta é o Verdadeiro Espírito, que é somente o que entra no reino da Morte.
Por amor, Ela estava ali confinada, como todos os que ali penetram, e foi conduzida à Morte, totalmente nua e com os pulsos amarrados.
Mas tal era sua beleza que a Morte se ajoelhou e depositou sua espada e sua coroa aos seus pés, e beijando-os, disse:
- Abençoados são teus pés, pois te trouxeram por esta senda. Fica comigo, eu imploro, e deixa teu coração ser por mim tocado.
E Ela respondeu:
- Eu não te amo. Por que fazes com que todas as coisas que amo e nas quais me delicio venham a fenecer e morrer?
- Minha Senhora – respondeu a Morte – Trata-se da idade e da fatalidade, contra as quais sou impotente. A idade, o envelhecimento leva todas as coisas a definharem, mas, quando os homens morrem, ao desfecho de seu tempo, concedo-lhes repouso, paz e força. Por algum tempo, eles habitam com a Lua e com os espíritos da Lua; então podem retornar ao reino dos vivos. Mas tu, tu és linda. Não retornes, permanece comigo.
Mas Ela respondeu:
- Eu não te amo!
E então disse a Morte:
- Se não recebes minhas mãos sobre teu coração, tens que te curvar ao açoite da Morte.
- É a fatalidade, que assim seja – Ela disse e se ajoelhou.
E a Morte a açoitou brandamente.
Nesse momento, Nossa Deusa compreende a Morte e reconhece seu Amado Senhor.
- Reconheço Tua dor, a dor do amor.
Nosso Deus a ergue, dizendo:
- Seja abençoada, Minha Rainha!
E Ele lhe deu o beijo quíntuplo de iniciação, dizendo:
- Somente assim podes ambicionar sabedoria e prazer.
Então, o Deus desamarra seus pulsos, depositando o cordel no chão.
A Deusa toma a coroa e a recoloca na cabeça do Senhor do Mundo Subterrâneo. Ele transforma a coroa em um colar, representando o Círculo do Renascimento, e o coloca no pescoço Dela, ensinando-lhe todos os seus mistérios.
O Senhor do Submundo toma o açoite em sua mão esquerda e a espada em sua mão direita e fica na posição do Deus, antebraços cruzados sobre o peito, espada e açoite apontados para cima.
Ela fica na posição da Deusa, pernas abertas e braços estendidos, formando o pentagrama e ensina a Ele o mistério da Taça Sagrada, que é o Cálice, o Caldeirão do Renascimento.
A Deusa toma o cálice em ambas as mãos, Eles se entreolham e Ele coloca suas mãos nas Dela. Ela toma o cordel e amarra as mãos dos dois ao redor do cálice.
- Através de você todos saem da vida, mas através de mim todos podem renascer. Tudo passa, tudo muda. Mesmo a Morte não é eterna. Meu é o Mistério do Ventre, que é o Caldeirão do Renascimento. Penetre em mim e me conheça, e estarás liberto de todo o medo. Pois se a vida é somente uma passagem para a morte, a morte é somente uma passagem de volta para a vida e, em mim, o círculo sempre gira.
E Eles se amaram e se tornaram um. Ele penetrou-a e, assim, renasceu para a vida.
Assim, há três grandes mistérios na vida do homem: sexo, nascimento e morte, e o amor controla todos. Para realizar o amor, tens que retornar ao mesmo tempo e local dos que amaram antes; e tens que encontrá-los, conhecê-los, lembrá-los e amarrá-los de novo. E para renascer, tens que morrer e ser preparado para um novo corpo. E para morrer, tens que nascer, e sem amor não podes nascer.
E Nossa Deusa sempre se inclina para o amor, o prazer e a alegria. Ela protege e cuida de suas crianças ocultas nesta vida e na próxima. Na Morte, Ela revela o caminho que leva à comunhão com Ela, e na vida, ensina a magia do Mistério do Círculo Mágico, existente entre os mundos dos homens e dos Deuses.
E assim, nós somos ensinados a cada começo da Roda do Ano, em que o Senhor e a Senhora compartilham o comando do ano, cada um oferecendo e compartilhando de equilíbrio para com o outro.